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sábado, 23 de outubro de 2010

Carrapatos. Um Parasita Que Pode Matar.

Parasitismo é uma relação direta e estreita entre dois organismos geralmente bem determinados. O hospedeiro é essencial para a continuidade da existência do parasita, que necessita do hospedeiro para se nutrir. Uma característica muito importante do Parasitismo é a adaptação do parasita que se organiza ao modo de vida do hospedeiro.

Os carrapatos são parasitas externos. Eles sobem no animal, fixam-se na pele para sugar o sangue e podem transmitir agentes causadores de doenças. Quando essa situação ocorrer é preciso buscar um tratamento adequado, o mais rápido possível, conforme orientação do Médico Veterinário.




Veja ao lado a proporção do tamanho de cada fase do ciclo do Carrapato Vermelho do Cão.


   

Ciclo:

O Carrapato Vermelho do Cão, ou Rhipicephalus sanguineus, é a espécie mais comum de carrapato que infesta o animal. Está perfeitamente adaptado às áreas urbanas, podendo ser encontrado no interior das residências em lugares altos, sem umidade e com baixa luminosidade, como em frestas, rodapés, batentes de porta, atrás de quadros e embaixo de estrados de camas.

Eles se escondem em "ninhos" no ambiente para mudar de fase ou para a fêmea iniciar a postura dos ovos. Depois de sair desse esconderijo, procuram o nosso amigo para se fixar e se alimentar.

Ovos:

Cada fêmea do Carrapato Vermelho do Cão coloca de 3 mil até 4 mil ovos, que vão se desenvolver entre 20 e 60 dias e se transformar em pequenas larvas com 6 pernas.

Larvas:

Ao sair dos ovos, as larvas levam de 5 a 7 dias para começar a procurar o hospedeiro. Os carrapatos têm o Órgão de Haller, um órgão sensorial que fica na ponta dos primeiros pares de patas. Através dele os carrapatos localizam o cão e andam até encontrá-lo. Estando no hospedeiro, procuram os lugares com a pele mais macia, fixam-se e sugam o sangue. Então desprendem-se, caem no chão, sobem e abrigam-se nos lugares altos para se transformar em ninfa. Essa mudança ocorre do 5º ao 49º dia.
  
Ninfas:


 Já transformadas (com 8 pernas), procuram um hospedeiro e o parasitam principalmente na região da cabeça, orelhas, pescoço e nos espaços entre os dedos. Ficam no hospedeiro por volta de 3 dias, desprendem-se novamente, procuram um local para se esconder (lugares altos) e passar para o estágio adulto.



Adultos:

No esconderijo, as ninfas se transformam em carrapatos machos ou fêmeas. Essa mudança ocorre do 10º ao 16º dia. Como adultos podem passar meses sem o hospedeiro, portanto sem se alimentar. Ficam aguardando uma condição de clima adequada para saírem de seus abrigos. Ao subir no hospedeiro, os machos e fêmeas perambulam pelo corpo do cão até encontrar um lugar ideal para se fixar. A fêmea, após ser fecundada, alimenta-se do sangue do hospedeiro, se desprende do animal, cai no chão e busca um lugar propício para iniciar a postura dos ovos.
Curiosidades:

"Carrapato Vermelho do Cão" ou " Carrapato Marrom do Cão" - Rhipicephalus sanguineus.
  • O Carrapato Vermelho do Cão, como é popularmente conhecido, não é nativo do Brasil. Ele possivelmente originou-se na África e foi introduzido no país durante o período da colonização, iniciada no século XVI.
  • Ao abandonar seu hospedeiro, a fêmea precisa de alguns dias para iniciar a postura dos ovos. Caso ela seja esmagada antes desse período, os embriões ainda não terão completado sua maturação, além de estarem sem a camada protetora. Para que os ovos sejam viáveis no meio ambiente, é necessária a ação de uma glândula (chamada Órgão de Genet) que secreta uma camada protetora para os ovos. Tendo voltado ao ambiente e realizado a postura de ovos, a fêmea morre. Com os ovos depositados reinicia-se todo o ciclo.
  • Jejum que suportam:
    Larva - até 60 dias.
    Machos adultos - até 200 dias.
    Fêmeas adultas - até 220 dias.
  • Eles não gostam de luminosidade, por isso geralmente saem dos esconderijos à noite ou nas horas do dia de menor claridade.
  • O carrapato do cão não troca de fase sobre o animal. Ele sempre faz isso no ambiente, de preferência escondido em lugares altos.
Outras Espécies e suas Origens:
  • "Carrapato-estrela" ou "Carrapato do Cavalo" - Amblyomma cajennense.
    Nativo do Brasil, ele vive nas matas e parasita várias espécies animais. Pode subir em cães, homens, no entanto é normalmente encontrado nos cavalos.
  • "Carrapato do Boi" - Boophilus microplus.
    São carrapatos presentes em vários continentes, exceto na Europa. Parasitam os bovinos.
Riscos:

Doenças que os Carrapatos Podem Transmitir aos Cães:

Em altas infestações de carrapatos, nosso amigo pode ficar anêmico. Isso porque, além de se alimentar do sangue, o parasita traz doenças que atacam os glóbulos vermelhos e brancos.
  • Erliquiose - É uma doença infecciosa grave transmitida pelo carrapato do cão. Um parasita pica um cachorro contaminado, numa outra fase pica um animal saudável e transmite o agente da doença. Esse agente é uma bactéria do gênero Ehrlichia, sendo a principal espécie a Ehrlichia canis.
    A Erliquiose tem três fases: aguda (início da infecção), subclínica (geralmente sem sintomas) e crônica (com infecções persistentes). Procure um Médico Veterinário para orientá-lo adequadamente.
  • Babesiose - Transmitida pelo carrapato, é uma doença parasitária decorrente de um protozoário, Babesia canis. Ele infecta os glóbulos vermelhos dos cães e multiplica-se. A febre marca o estágio em que essas células são rompidas e os protozoários se deslocam para outras. Procure um Médico Veterinário para orientá-lo adequadamente.
  • Hepatozoonose - É uma doença transmitida por carrapatos, causada por um protozoário do gênero Hepatozoon. Procure um Médico Veterinário para orientá-lo adequadamente.
Cuidados e Higiene com o Ambiente e com os Animais:

Com os Animais:

A Bayer possui uma linha de produtos carrapaticidas para tratar os nossos amigos, como o Advantage® Max3, carrapaticida com tripla proteção, de uso mensal, e a Kiltix®, coleira carrapaticida de longa duração, com ação por até 7 meses. Para banhos no animal, que podem ser feitos semanalmente, a Bayer tem o Asuntol®, sabonete parasiticida.

Com o Ambiente:

Em um local infestado por carrapatos, apenas 5% dos parasitas estão sobre os animais e o restante encontra-se no ambiente. No caso do carrapato dos cães, é importante alertar que os principais locais a serem tratados são os lugares altos, como batentes de porta e janela, rodapés, embaixo de móveis e estrados de cama, frestas, muros e paredes.

Recomenda-se utilizar produtos adequados e seguros, sempre ler as instruções que constam nas embalagens, preparar a diluição adequada, respeitar o tempo de isolamento do local tratado. É importante também dar continuidade ao tratamento, principalmente nos períodos de maior infestação. Procure um Médico Veterinário para orientá-lo adequadamente.

Mitos:

Muitas vezes acreditamos que nosso amigo não vai ser vítima de parasitas. Naturalmente, as chances são menores quando cuidamos dele com carinho e responsabilidade. Porém, os parasitas têm uma grande capacidade de sobrevivência, por isso é importante conhecê-los bem para poder lidar melhor com o problema.

Veja Alguns Mitos Abaixo:

"Os pássaros e o vento estão trazendo carrapatos." - Os carrapatos não são trazidos pelo vento e a espécie Rhipicephalus sanguineus tem preferência pelos cães. Dificilmente subiriam em aves.

"O carrapato brota do sangue do meu animal." - Os carrapatos são parasitas externos que procuram o animal para se alimentar. Não saem do seu sangue, e sim se alimentam dele.

"Na minha casa não tem grama, por isso não pode ter carrapatos." - Existem os carrapatos que vivem na vegetação, como o Carrapato-estrela, por exemplo. Já o Carrapato Vermelho do Cão prefere lugares altos e sem umidade, por isso o fato do nosso quintal ser cimentado não descarta a possibilidade da existência desse parasita.

"Passei veneno no chão, por isso não tem carrapatos na minha casa." - Como o Carrapato Vermelho do Cão se esconde em lugares altos, sempre devemos focar o tratamento ambiental nas paredes, batentes de portas e janelas, atrás dos quadros, embaixo de estrado de cama e nos muros do quintal. Se tratarmos somente o chão, não atingiremos seus esconderijos.

"Eu moro em apartamento, portanto não tem como ter carrapatos." - Como o Carrapato Vermelho do Cão sobe paredes, nada impede sua sobrevivência num prédio, até porque as áreas internas das residências oferecem condições propícias e esconderijos para essa espécie de carrapato.

"A minha casa é limpa, não tem carrapatos." - Infelizmente produtos de limpeza não exterminam o carrapato. O ideal é usarmos produtos específicos para o Carrapato Vermelho do Cão.

"Usei produto contra carrapatos, mas eles estão reaparecendo após 15 dias." - Os carrapatos que estão aparecendo não são os mesmos que estavam no animal antes do tratamento. Todos os dias, tendo condições climáticas favoráveis, novos parasitas sairão dos esconderijos e procurarão o hospedeiro. Portanto, para um controle efetivo dos carrapatos, é importante tratar tanto o animal quanto o ambiente.

"O meu animal de estimação não pode ter carrapatos porque se tivesse estariam subindo nas pessoas que vivem na residência." - O Carrapato Vermelho do Cão raramente sobe em gatos e em seres humanos, tendo preferência pelos cães. Já o Carrapato-estrela pode parasitar qualquer espécie animal, incluindo o homem.

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