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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

TREINANDO UM CACHORRO SURDO

Podemos transmitir nossos sentimentos e desejos aos cães através de expressões faciais, tão bem como através de ordens orais. Assim, treinar um cachorro surdo é apenas um desafio.

Uma história baseada em fatos reais. Shirley de Atlanta, que na década de 80 viu um cão deitado na estrada, vítima de um motorista apresado e insensível. Imediatamente parou e começou a pedir ajuda aos carros, acenando freneticamente. Finalmente um homem bondoso viu sua aflição e parou para ajudá-la. O cão ferido foi levado ao veterinário e tratado. Foram feitas muitas tentativas para localizar o seu proprietário, mas ninguém reclamou.

Depois de ter salvo sua vida, como poderia Shirleu deixá-lo perdido no mundo? Ele entrou para a sua família - e só então Shriley descobriu: Bullet era surdo!

Bob, um amigo de Shirley, após conhecer Bullet, perguntou se poderia tentar adestrá-lo. Ela deu seu consentimento com todo o prazer, pois o cão, apesar do seu temperamento meigo, era difícil de ser controlado.

A primeira sessão com Bullet foi realmente espantosa. As lições começaram da maneira regular, e mesmo sabendo que ele precisava aprender por sinais manuais, Bob falava com ele como se ele pudesse realmente ouvir, pois de acordo com o que ele pensava, transmitimos nossos sentimentos e desjeos aos cães através de expressões faciais tão bem quanto através de ordens orais. Seu progresso foi muito gratificante, como também sua vontade de agradar. Essa era a primeira experiência de Bob com um animal surdo (exceto um gatinho que ele já havia treinado), pensou que fosse um caso especial, mas parece que todo animal surdo manifesta um desejo maior de agradar e estar em contato com as pessoas.

Realizaram bem o "Sit" e o "Down" mesmo à distância. Bullet aprendeu o "Stay", mas não com tanta facilidade. Na casa de Shirley, Bob pediu a Bullet para entrar na cozinha e ficar deitado durante algum tempo. Shirley não podia acreditar e chamou Jim, seu marido, para ver! Ambos estavam muito contentes, pois agora Bullet poderia integrar-se mais ainda à família.

Bullet respondia às ordens de Bob já que eles haviam comunicado, mas isto não o ajudaria, a menos que sua família pudesse também comunicar-se com ele. Na casa, como a maioria dos instrutores compreende, é que está o cerne do treinamento. Portanto a tarefa tornou-se dupla: ensinar a Bullet o significado das ordens, e à família como dá-las.

Sessões de treinamento bem sucessidas.

Na segunda noite de treinamento, Bullet estava ansioso para colocar a coleira de treino. Revisaram o "Sit", o "Down" e o "Stay". Começaram então o "esteio". Bullet sentou-se e olhou diremente nos olhos de Bob. Claro que hesitou algumas vezes e foi corrigido, mas ficou satisfeito. Estava tão decidido a agradar que fez com que Bob sentisse que não estava fazendo nada para se comunicar com ele - que era Bullet que estava lendo sua mente. Jim disse que notou (olhando o treinamento pela janela) que Bullet corria em volta desenfreadamente assim que a coleira era removida. Shirley acrescentou que ele saiu-se bem no quintal mas não faria o mesmo no jardim. Portanto colocaram a coleira e a guia de Bullet, saíram para jantar, através da entrada de carros, desceram a rua e voltaram. Fizeram o "Sit", o "Down", o "Stay", sem a guia. Bob percebeu que Shirley se preocupava enqanto olhava pela janela, pois sabia que Bullet continuava a fugir. Voltaram então para o quintal e colocaram Bullet no "Sit", tiraram a coleira e a guia, que foram guardadas dentro de casa, depois foram até Bullet novamente e o liberaram. Com isso se prova de novo o valor de uma palavra ou sinal de relaxamento.

Na terceira lição de Bullet (ou de Bob?..rs..) ele veio correndo e sentou-se quando viu a coleira e a guia. Como antes, revisaram as lições e ele havia melhorado em firmeza e elegância. Continuaram o esteio obtido através de um automático "Sit" e "Recall" - inacreditável! Só então deram liberdade para Bullet. Ele tinha o hábito de rodear o quintal repetidas vezes e uivar. Nessas ocasiões, se visse um sinal de Bob, apenas saltava mais alto!

A próxima etapa era fazê-lo vir quando visse o sinal da mão. Bob sentou-se no chão e fez os sinais "Come" e "Down". Ele correspondeu, e depois de repor a coleira e a guia, passearam pela rua como recompensa. Em seguida permitiram que entrasse na sala para visita, foi seu prêmio especial. Seu comportamento era cada vez mais dócil e durante a visita examinou a área calmamente e obedeceu à ordem "Down", assim permanecendo com sossegado prazer.

Teste de Reações

Até naquele momento, tudo bem. Mas como reagiria Bullet a outros cães? Shirley, com muita apreensão, levou Bullet em uma quarta-feira à noite para a aula de treinamento. Os outros alunos cooperaram deixando Bullet andar à volta deles, a princípio estava apenas reconhecendo o "terreno", mas logo aprendeu a confiar nos outros cães. Desempenhou o "Down", o "Stay" e o "Sit", no centro da sala, com a maior facilidade, orgulhando e emocionando o seu treinador Bob.

A quarta lição foi estimulante para Bullet, pois ele tinha que aprender a viajar no carro sem pular de trás para frente e "ajudar a dirigir". Shirley achou que Bullet ficaria tão excitado quando andasse de automóvel que seria muito mais um treinamento do que um prazer, tanto para ela quanto para Bullet. Shirley dirigia enquanto Bob corrigia Bullet quando tentava pular para o assento da frente. Depois pararam em um centro comercial, onde estava havendo uma liquidação. Bullet e Bob atravessaram incólumes, mesmo com as luzes giratórias e a confusão das filas, ele emitiu alguns grunhidos e uivos, mas logo se acomodou. Bullet encontrou estranhos que pararam para brincar com ele, e seu comportamento foi ótimo. Após voltarem para a casa, ele esperou que o soltassem antes de pular para fora do carro e então recebeu seu tratamento especial: permissão para ficar deitado na cozinha enquanto Shirley e Bob conversavam.

Para Bob, era impossível exprimir o profundo sentimento de realização e alegria que Bobo lhe proporcionol - não apenas pela experiência de treinar um cão completamento surdo e pela alegria de conhece-lo, mas também pela mudança que houve em sua vida. Sem treinamento, o que poderia a vida significar para o querido amigo surdo de Bob?


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